Agências dos Correios na região estão entre as 25 em risco de serem fechadas em SC
Sindicato diz que unidades de municípios pequenos podem parar; seis já foram encerradas e o plano de reestruturação ficou suspenso até 31 de julho.
Os Correios têm 25 unidades em risco em Santa Catarina, disse o Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (Sintect), enquanto a estatal admite seis fechamentos recentes no estado e mantém até 31 de julho a suspensão do corte de agências e gratificações. O impasse envolve municípios pequenos, atendimento reduzido e a reestruturação da empresa.
Unidades pequenas viraram alvo
Helio Samuel de Medeiros, secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos e Similares (Sintect), disse que essas agências ficam vulneráveis quando o funcionário sai ou se aposenta e não há reposição. Segundo ele, a população acaba tendo de procurar outro município, o que amplia os deslocamentos de quem precisa do serviço e também de quem faz o atendimento.
Os Correios afirmaram que o fechamento de unidades depende de avaliações técnicas e da firmação de parcerias para otimizar a rede de atendimento em todo o país. A estatal também disse que não estima um número específico de agências em risco em Santa Catarina.
Nos últimos meses, seis agências foram fechadas no estado. A lista inclui Águas de Chapecó, Ibiam, Planalto Alegre, Presidente Castello Branco, Rio das Antas e Xavantina.
A pressão travou parte do plano
Nesta semana, os Correios suspenderam temporariamente partes do plano de reestruturação econômica. Até 31 de julho, ficam congelados o fechamento de agências e os cortes nas gratificações dos funcionários. A decisão foi oficializada depois de forte pressão sindical e da ameaça de greve geral da categoria.
Helio Samuel de Medeiros disse ainda que há preocupação com possíveis demissões durante a reestruturação. “Temos medo da demissão, com certeza. Se for necessário demitir para salvar a saúde financeira da empresa, segundo eles, vai ser feito. Mas a nossa empresa não foi feita para dar lucro, foi feita para entregar serviço à população”, afirmou.
O sindicato também aponta que o fechamento das unidades sobrecarrega os funcionários e aumenta os deslocamentos para entregas. Helio disse que, quando a entrega exige ir mais longe, leva mais tempo e a efetividade cai. “Nossa missão é quando uma carta ou uma encomenda é postada, fazer a entrega de maneira satisfatória. Mas esse cenário dificulta”, afirmou.
Há ainda unidades com atendimento alternado ao longo da semana: Erval Velho atende terça e quinta; Meleiro, quarta e sexta; Morro da Fumaça, quinta; Paraíso, sexta; Ponte Alta do Norte, sexta; e União do Oeste, terça. Os Correios disseram que todas essas agências seguem as diretrizes da universalização postal, que preveem tempo mínimo de atendimento ao público no município de quatro horas semanais, dentro do normativo legal.
Em 2025, a estatal registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões, o maior de sua história, mesmo com crescimento do comércio eletrônico no país. Entre os fatores citados estão a perda de mercado para empresas privadas de logística, a queda no volume de encomendas internacionais após mudanças nas regras de tributação das compras do exterior e o aumento dos custos operacionais.
Diante desse rombo, os Correios anunciaram um pacote para reduzir despesas e reforçar o caixa. As medidas incluem programas de desligamento voluntário, fechamento de agências deficitárias, redução de jornada e salários de parte dos empregados, venda de imóveis e contratação de um empréstimo bilionário. A direção da estatal diz que as ações são necessárias para reequilibrar as contas e garantir a continuidade das operações nos próximos anos.
Entre as unidades listadas em risco estão Agronômica, Arabutã, Atalanta, Barra Bonita, Brunópolis, Cunhataí, Galvão, Grão Pará, Guarujá do Sul, Iomerê, Iraceminha, José Boiteux, Lacerdópolis, Macieira, Maracajá, Monte Castelo, Ouro, Painel, Palmeira, Ponte Alta, São Cristóvão do Sul, São José do Cerrito, Timbé do Sul, Treviso e Zortéa.
Também aparecem na relação Erval Velho, Meleiro, Morro da Fumaça, Paraíso, Ponte Alta do Norte e União do Oeste.
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